Cineastas adotam os smartphones

Você pode não apreciar muito os gêneros, especialmente pelo fato da maioria das produções terem um caráter bem mais experimental do que de mainstream.

Mas se você for capaz de compreender minimamente os fundamentos de composição, vai notar que todas as menções positivas em torno de algumas produções recentes – feitas totalmente a partir de smartphones – tem um embasamento bastante consistente.

O ‘Monstro’ criado exclusivamente para o Nokia N8 no primeiro longa comercial 100% mobile da história

O diretor sul-coreano Park Chan-Wook é provavelmente o mais expoente entre os novos embaixadores da seara de um tipo inovador de film-making realmente portátil. É dele a assinatura do “Night Fishing” (Paranmanjang) de 33 minutos, apresentado no último iPhone Film Festival.

Tudo bem, ele clipou uma lente de 35mm em cada um dos iPhones utilizados na produção; o que não diminuiu em nada o valor do resultado atingido. Os acessórios estão aí para isso mesmo e esse não seria o ponto em questão.

A promessa incipiente de smartphones trabalhando mais profissionalmente em prol da arte também implica certas restrições. Afinal de contas, não é para qualquer um produzir uma peça estável, com um padrão mínimo de luz, enquadramento e cores.

Danny Lacey, escritor e diretor britânico, também produz curtas e longas de qualidade à partir de equipamentos enxutos como a Canon 5D MKII e a 7D e não vê com olhos negativos a tomada dos smartphones por muitos novos criadores, testemunhando:

“Filmar à 720p e 30fps com um pedaço tão pequeno de tecnologia que cabe na palma da sua mão é muito entusiasmante. Recentemente eu produzi um vídeo experimental usando um aplicativo para iPhone 4 chamado Super 8. A idéia era apenas filmar montes de imagens aleatórias, mantendo o foco em formas interessantes, centelhas e efeitos visuais a partir de fontes variadas de luz. Os resultados foram impressionantes e terminei com um material bastante interessante que chamei de Darkness and Light in 8mm.

Mesmo com a limitação do app em reduzir o vídeo a meros 480×360 pixels, Lacey acha que o material “ainda é um ótimo exemplo do que pode ser alcançado com essa tecnologia”.

Aparelhos como o próprio iPhone (4/4S), os últimos Samsungs e até mesmo o Nokia N8 tem sido empregados em uma série bastante profícua de produções indies, atraindo cada vez mais o olhar crítico para aquilo que são capazes de fazer nas mãos certas. E os grandes distribuidores podem também muito rapidamente passar a namorar essa idéia.

Por exemplo, “Olive” estrelado pela lendária Gena Rowlands, é o primeiro longa-metragem feito totalmente feito a partir de aparelhos celulares. E não, não foi filmado em um iPhone, mas sim em pouco mais de dois meses (mais 3 de edição) em um bom e quase-velho Nokia N8.

A equipe do diretor Hooman Khalili trabalhou na construção de uma lente adaptada de 35mm e conseguiu juntar pouco mais de U$S 300.000 com a ajuda do KickStarter. O filme deve estrear ainda esse ano no circuito internacional.

A qualidade e a textura final são impressionantes, dadas as condições da produção.

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