Por que o iPhone fabricado no país não ficou mais barato?

Versão 4 de 8GB, montada pela Foxconn, em Jundiaí (SP), começou a ser vendido por R$ 1.799, mesmo valor do modelo importado.

Quem esperava que a fabricação do iPhone no Brasiltornasse o aparelho mais acessível vai ficar frustrado. Os primeiros terminais produzidos na planta industrial da Foxconn, em Jundiaí, interior de São Paulo, começaram a ser vendidos ao mesmo preço do smartphone importado. A versão 4 de 8GB, montada aqui, custa 1 800 reais, mesmo valor do modelo importado.

As vendas do iPhone Made in Brazil começaram sem muito alarde. O aparelho desbloqueado pode ser adquirido no site brasileiro da Apple Store, com opção de parcelamento em até 12 vezes sem juros. Entretanto, o preço praticado é o mesmo do smartphone 4 de 8G importado, quando ele foi lançado em agosto de 2010.

A Foxconn nem a Apple comentaram sobre as razões de o iPhone brasileiro ser mais caro que o que vem de fora, uma vez que a produção local conta com incentivos do governo federal. O modelo montado no País está enquadrado no Processo Produtivo Básico (PPB) da Lei de Informática (regras para que o fabricante tenha incentivos) e obteve redução da alíquota do IPI de 15% para 3%.

“A decisão de preço é da empresa e o governo não tem nenhum controle sobre essas questões”, afirma o secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Sepin-MCTI), Vírgílio Augusto Fernandes Almeida. Ele informa que a contrapartida da Foxconn para fabricação do iPhone da Apple no País está sendo cumprida: a geração de mil empregos numa primeira fase e uso da cadeia produtiva local de suprimentos disponível no mercado nacional.

“Acredito que não chegaram ainda a um preço diferenciado pela falta de escala”, diz o secretário da Sepin. Ele espera que essa questão seja resolvida mais para frente, para que o iPhone nacional se torne mais acessível ao consumidor brasileiro.

De toda forma, o governo estuda enquadrar smartphones na “MP do Bem”, a mesma lei que reduziu o preço dos computadores no País em quase 10%. Essa lei reduz a incidência do PIS e do Cofins.

Custo Brasil
O advogado tributarista Bruno Henrique Coutinho de Aguiar, sócio do escritório Rayes & Fagundes Advogados, não acredita que o iPhone nacional tenha redução de preços no longo prazo por causa do famoso “Custo Brasil”.

“A redução de tributos não é a única variável a ser considerada”, informa o tributarista. Ele não acredita que a indústria e a Apple estão ganhando nas margens de vendas.

Segundo ele, há outros custos que são considerados no preço final do iPhone, como de mão de obra, com a alta carga de impostos trabalhistas, e os gastos de manutenção da fábrica.

Aguiar observa que uma parte das peças para montagem do iPhone no Brasil vem de fora, o que duplicam os custos. Ainda assim, o tributarista avalia que a fabricação local de iPhone, mesmo custando mais que o importado, é bom para o Brasil. “A montagem local gera emprego para o País, renda e transferência de tecnologia”, acredita o tributarista.

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